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Covid-19 na China: dicas e bons exemplos para o varejo

Por ter sido o primeiro país a registrar casos de contaminação pelo novo coronavírus e adotar e sair da quarentena, a China pode ser observada como uma referência no enfrentamento da pandemia. Veja por quê:

Oferta de crédito – O governo chinês vem adotando medidas importantes para aquecer a economia. No final de abril, o Banco do Povo da China (PBoC, o Banco Central chinês) reduziu a taxa de juros da sua linha de crédito de médio prazo direcionada, de 3,15% para 2,95%, e injetou 56,1 bilhões de yuans (US$ 7,9 bilhões) em liquidez no sistema financeiro por meio dessa linha para estimular o repasse de empréstimos bancários a pequenas empresas. No mês anterior, os bancos chineses já haviam anunciado a liberação de 2,85 trilhões de iuanes (404,64 bilhões de dólares) em empréstimos. O financiamento social também foi impactado com uma liberação de 5,16 trilhões de iuanes. 

E-commerce avançado – O modelo avançado de comércio eletrônico e a experiência anterior com outras pandemias também podem contribuir para que o país se recupere mais rapidamente que outras economias. Durante a quarentena, a China conseguiu manter o consumo de sua população ativo graças a ferramentas de tecnologias que possibilitaram às empresas de e-commerce realizar entregas aos clientes no mesmo dia e em até 20 minutos e abastecê-los de forma eficiente em casa. A facilidade de adequar o  comportamento de compra durante a quarentena também se deve à maturidade digital das grandes redes varejistas chinesas e de sua população. Em 2019, o Global E-Commerce destacou a China como o principal mercado eletrônico do mundo, com o comércio online atingindo 36,6% das compras em varejo no País. Segundo o levantamento, 71% dos chineses fizeram compras pela internet em pelo menos um momento do ano. 

Reabertura rápida – A reabertura do comércio na China começou em 30/03, de forma rápida, no intuito de testar o comportamento dos consumidores quanto à nova demanda de compras. Segundo o Ministério do Comércio da China, cerca de 80% dos restaurantes e 90% das instalações comerciais retomaram os negócios no país. Apesar de não faltarem suprimentos, poucos compradores passaram pelos corredores durante o horário de maior movimento. Mesmo com o serviço de entrega on-line, os varejistas não relataram expansão das vendas na reabertura. Muitos shoppings voltaram a operar com horário reduzido e com um limite de pessoas dentro dos empreendimentos, por isso, o tráfego ainda não alcança os níveis pré-quarentena. No primeiro trimestre, boa parte dos grandes shoppings registraram quedas nas vendas de até 70%. Muitas pessoas ainda têm evitado o consumo de bens não essenciais devido ao desemprego ou por temer demissões no curto prazo. 

Prevenção – O acesso dos clientes aos shoppings ocorre de forma controlada, por uma única entrada, com a medição da temperatura dos clientes pelos funcionários das administradoras. Os estabelecimentos são desinfetados a cada quatro horas e exigem que os clientes estejam de máscaras e mostrem um código QR de uma plataforma de pagamento móvel, que classifica a saúde em três níveis (localização, em informações básicas de saúde e histórico de viagem). 

Pagamento sem toque – Os grandes players de varejo chineses também possuem experiência na utilização de sistemas de meios de pagamento sem toque, uma tendência que deve se consolidar ainda mais mundialmente por conta da pandemia. Além disso, elas propõem um novo modelo de varejo baseado no uso de tecnologias para realizar compras sem contato humano, como inteligência artificial, análise de dados e mobile payment. Além de diminuir custos e aumentar as vendas do varejo, a adoção dessas ferramentas aproxima as experiências que os consumidores têm no mundo físico (offline) e no comércio eletrônico (e-commerce). 

O choque mundial da Covid-19 está acelerando a transformação digital no varejo. Portanto, vale se espelhar nos exemplos da China e avaliar a melhor forma de adaptar para o perfil do consumidor brasileiro. Aproveite o momento para utilizar a tecnologia e as informações disponíveis para buscar referências, trocar contatos e experiências e buscar estratégias para enfrentar os desafios que vêm por aí.

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